domingo, 25 de maio de 2014

Paraíso part II, e meio

como escrever algo que parece ser tão maciço
resistente as bastidas insensíveis
que os  rodeiam com um amor
que o rodeiam-o num amor
desviando-se de tudo que não o faz feliz
mas ele não sabe o que, o faz

como caminhar um caminho
não trilhado pelo destino
como andar sobre um caminho
que rodeiam de culpas sem culpados
que o rodeiam-o de culpas para culpar
sem atalho para remorso
mas ele não sabe o que é mais forte

num dia claro
sua rispidez transparecia mais que o sol
fechava os olhos
tentando se trancar na própria escuridão
mas a vida continua
fora do paraíso
se tornava mais inquebrantável

se surpreendendo com algo fora do prazo
se quebrando num momento sem descanso
pois sempre há algo no passado que o confundi
se sustentando como um austero
pois o paraíso não é para sempre
ele sabia que era para sempre

o sol está pronto para deixar-los
a respiração corrompe
mas o medo ainda está de pé
comprometendo a fama do paraíso
o receio é inofensivo
comprometendo a fama do paraíso


Ana Célia Siqueira



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