Então ouço a voz de um homem que está em algum canto do lado esquerdo das árvores, não consigo distinguir quem é, somente sei que está olhando pra o céu e dizendo algo que eu já ouvi mas não consigo me lembrar, há também uma batida que toca em uma sequência rápida e ao mesmo tempo se transforma como melodia para acompanhar as palavras daquele homem:
__ O que posso fazer com minha obsessão? Com as coisas que não posso ver, Há loucura em meu ser? É o vento que sopra as árvores? Às vezes Tu estás mais longe que a lua. Às vezes Tu estás mais próximo que minha pele. E Tu me cercas como um nevoeiro de inverno. Tu veio e me incendiou com um beijo.
Tento me lembrar da onde tinha ouvido aquilo mas não consigo. Então dirijo meu olhar para o lado direito da árvores e vejo um mulher com os cabelos loiros e com um vestido de rosa bem claro, ela olha para mim com os olhos bem fixos e bem arregalados. Não consigo de jeito algum interpretar o que ela está fazendo.
Começo a sentir um incomodo por estar deitada naquela neve fria e gelada, mas só passava de um incomodo e não de frio imenso. Daí percebo que a parte de debaixo dos meus braços estão começando a ficar vermelha, então eu apoio meu corpo no braço direito tentando me levantar e quando ponho a mão forçando para baixo escorrego e do de cara no chão, com a minha barriga virada para baixo fica mais difícil me mover.Levo um susto que me faz querer gritar mas não consigo, estou em um lago congelado então fecho os olhos não querendo abrir mas começo a sentir medo e então resolvo olhar novamente. São pessoas, pessoas bem pequeninas, como se eu estivesse olhando para elas do alto, nuca vi tanta gente então percebo o mundo. O mundo? Mas que mundo? Quem são essas pessoas? Como posso estar vendo lugares que nunca vi e nunca fui, pessoas que nunca vi.
Então ouço o homem novamente dizer repetidamente:
__ E meu coração arde por Ti, e meu coração arde...
Então a única coisa que vem na minha mente é uma duvida; Como um coração de alguém pode arde por outro alguém?
Logo depois de alguns segundos o som da batida de antes não é mais o mesmo começa a ser batidas lentas e suaves, como a vista das montanhas coberta de gelo também não é mais a mesma e a fileira de árvores bem abaixo dela começam a ficar mais verdes. Então eu percebo a camada de água congelada que estou em cima parece estar pronta para quebrar e de repente tudo que eu via em volta de mim não era mais gelo, não era mais neve, era água e me vejo cair dentro dela e envolta de muitas pessoas que agora são grande, elas me empurram, são muitas, tento me apoiar em alguém mas não consigo, meus dedos estão machucados devido ao gelo, não sinto mais meus lábios, tento manter a cabeça acima d'água para respirar mas é difícil, a água estava começando a ficar mais escura e não fria, eu me sentia em um lugar totalmente sem espaço, muito apertado, eu lutava com chutes e puxões para que alguém ali pudesse me ajudar mas ninguém me via, não conseguia mais me mover, não conseguia mais respirar."
Em um abrir e fechar de olhos acordo mas não me sinto apavorada, não me levanto apenas dirijo meu olhar para envolta de mim, me espreguiço e levo minha mão para a mesinha do lado da cama e vejo meus dedos machucados e percebo, estou molhada e gelada, toco meus lábios e sinto que estão muito ressecados, me recuso a levantar e fico na cama mais ou menos uns vinte minutos tentando interpretar aquele sonho o que teria aconteceu comigo para eu estar daquele jeito, então me sento e olho para fora da janela e rapidamente as peças se encaixam...
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